domingo, 8 de dezembro de 2013

Meu ano de 2013! Nosso ano!! Feliz

2013!!! 

Nossa, como o ano de 2013, passou rápido! Quando vimos o ano letivo terminou...muitos foram os saldos desse ano diferente e desafiador.
Logo nos primeiros dias de aula, as aulas foram preparadas para nos conhecer, olhinhos curiosos de uma lado e olhos da professora ansiosa do outro. Foi um momento  marcado pela expectativa de que todos fossem muito felizes em ambos os lados. Sem demagogia... Minha maior preocupação era ser uma pessoa feliz o tempo todo. Sempre dizia: “será possível ser feliz sendo professora?” eu via tantas pessoas reclamando, cansadas, deprimidas, sem alegria quando falava do seu trabalho...temia muito pelo que poderia me acontecer. Eu, enquanto diretora dessa mesma escola, consegui junto com meu grupo de trabalho, muitos avanços na escola. Fiz especialização em gestão, fui premiada por duas vezes, fiz meu trabalho com muita dignidade e competência, enfim, fui muito feliz. Esse mesmo ideal almejava no desafio de ser professora.
Na organização da minha sala, decorei, produzi fotinhas de aniversários, fiz cartão de boas vindas, comprei todo um aparato tecnológico para que minha sala fosse multimídia, com data show, home theater e telão. A sala ficou um espetáculo! Necessitava desse apoio, para que minhas aulas fossem interessantes me auxiliando na pouca prática com sala de aula, bem como na falta de domínio dos conteúdos que viria a trabalhar.
Tinha uma lista de conteúdos das várias matérias,  que deveria dar conta de apresentar aos meus alunos durante o ano e que não tinha conhecimento algum. Foi um ano de muito estudo. Cada matéria me fez buscar estudar exaustivamente cada conteúdo. Além dos assuntos, buscar vídeos que traduzisse numa linguagem acessível  à idade dos meus alunos o tema a ser estudado. Foram horas de estudos de vídeos!
E os instrumentos de avaliação? Nossa! Isso foi outra novela, precisava me instrumentalizar de várias formas para conhecer as habilidades, os esforços despendidos, o compromisso com o estudo e a escola, o valor que a família dá as ações dos filhos, letra legível, ortografia, compreensão do que foi estudado em cada capítulo, minha constante auto avaliação. Aliás foi um ano de avaliação e auto avaliação ininterrupta. Algumas, foram necessárias, outras dispensáveis, mas como estou num processo de busca da felicidade em ser professora, considero que tudo que vivi foi fundamental.
Meu caderno de planejamento, organizado metodologicamente dentro dos “padrões”, cada matéria com seus conteúdos explicadinho, passo a passo, foi muito trabalho! Mas precisava disso para minha segurança. Me apavorava a ideia de ir pra sala sem estar planejada, preparada...terror! Cada minuto do tempo de aula, precisava estar previamente planejado. E eis que às vezes isso fugia do nosso controle... Por um evento que acontecia na escola, pela chegada de alguém na sala. Decepção total. Gerando muita ansiedade, que o tempo estava correndo e eu não iria dar conta do que planejei.
Acredito que esse meu modo de levar o trabalho me possibilitou ter um ano tranquilo em termos de comportamentos dos alunos, estou curiosa pra ver como será o próximo e defender essa teoria de que aulas bem preparadas, com alunos envolvidos, fazem com que tenhamos menos problemas com indisciplina. Não sei...
Bom, logo nos primeiros dias, fui montar o horário de acordo com o que propõe a grade curricular, ledo engano, achar que devemos engavetar as matérias dentro de um tempo preciso e definido. Loucura total. Remodelei o horário umas três vezes até perceber como seria mais produtivo, interessante  e envolvente.
Nas aulas de arte, minha proposta era sair do desenho, lápis de cor e pinturas estereotipadas, gostaria que conhecessem uma pouco sobre arte, as diversas manifestações de arte e que a partir dali criássemos situações para produções artísticas nas mais varias formas. Então, junto com meus alunos lancei o desafio de trabalhar com papel machê. Por dicas de professores mais experientes, a massa deveria ser feita em casa, por conta do melhor aproveitamento do tempo e alunos dispersos na confecção. Deu bem certo. Quando estava pronto. Passei a receita, mostrei todo o processo de confecção do que havia feito  sozinha em casa, na esperança de deixa-los felizes com o manuseio da massa. Fica um sentimentozinho de que poderia ter sido feito com eles, mas ao mesmo tempo fico contente de que não fiz, por que é uma bagunça o feitio! Bom foi feito. Organizamos a sala, forramos as carteiras, passei várias sugestões de trabalhos feitos com papel machê, pedi que usassem a criatividade e fizessem suas próprias produções. Saiu muita coisa linda! Alunos empenhados, outros nem tanto. Comecei ali minhas primeiras alegrias e decepções da profissão.
Pedi a meus alunos que respondessem um questionário sobre quem são, o que gostam de fazer, de estudar, algumas preferencias particulares. Logo percebi que na grande maioria eram muito contentes pela matemática. Matéria esta que me deixasse temerosa, por que não tinha grandes formações sobre, e também minha experiência escolar na matemática tinha sido terrível. Mas isso é outra história...Então, quando falaram dessa alegria com a matemática, juro tive vontade de chorar. Minha responsabilidade aumentou naquele momento consideravelmente. Não podia jamais deixa-los desgostar da matemática. Respirei fundo e pensei: tenho que aprender muito para ensina-los. E fui em busca. Alguns assuntos mais cautelosa, outros mais afoita. As crianças me ensinaram o ritmo e o sentido de cada uma das operações desenvolvidas. Tive um grande apoio da professora Roseli e o meu filho Álvaro para dúvidas mais urgentes.
O ano iniciou com escovação de dentes, idas a biblioteca, aulas de informática e terminou sem nada disso. Explico por que: a escovação de dentes, apesar de considerar importante, mas assim, ora o assunto estava envolvente que interromper seria desperdício, ora não caia no meu horário esse momento. E como já é costume sempre tem quem esquece da escova, achei que não estava a fim de ficar brigando por escovas esquecidas, entendo que meu objetivo é outro, trabalhar o conhecimento e por fim fomos relaxando e ficamos sem escovação de dentes. Idas a biblioteca, fomos levando até o 3° bimestre, semanalmente indo a biblioteca, trocar livros, ler, mostrar o que leu, mas as coisas começaram a perder sentido quando por algumas vezes fomos a biblioteca e barrados pela porta fechada, o funcionário não estava, ou por que os livros já tinham sido lidos, pouca variedade de livros para essa faixa etária. Acabei levando alguns livros meus de casa, e ganhei alguns livros de uma professora de Laurentino, a diretora do Cacilda me deu também alguns livros, acabamos fazendo trocas na sala. E todos os dias li histórias, às vezes lia o livro todo, as vezes capítulos, foi uma saída, que apesar da biblioteca não ter funcionado 100%, lemos muiiiitooo.
Quanto à sala de informática, foi outra novela, começamos o ano com computadores funcionando, programava as aulas e lá íamos nós fazer as tão desejadas aulas de informática. Mas, computadores estragam, desconfiguram. Precisava ter um técnico à disposição, muita gente mexe. Eu tenho alguns conhecimentos de arrumar, mas com a presença de alunos solicitando atenção o tempo todo, ficava extremamente estressante. O que me motivou a cancelar essas aulas. Computador sem internet para as pesquisas não dá... Para digitação quem sabe... Não deu tempo.
Tivemos em nossa cidade uma apresentação artística de um grupo itinerante, fazendo um monólogo sobre violência sexual. Uma peça muito interessante sobre abusos, e sofrimentos causados por pessoas mais velhas com crianças nessa faixa etária. Despertou ali um assunto que estava pipocando na cabeça de algumas crianças sobre sua sexualidade. E no 5° ano, faz parte do currículo trabalhar este assunto. Iniciei com essa peça os estudos sobre sexualidade humana. Fizemos caixa de dúvidas, relacionei as perguntas, convidei  Dona Cleusa, como uma professora que a muitos anos trabalhou este assunto para vir fazer explanação para as crianças tão curiosas. Foi uma experiência muito enriquecedora.  Ela respondeu as principais dúvidas, acompanhada de slides. Agradecemos sua contribuição com um pacote de docinhos. Depois da sua saída da sala ainda rendeu muita conversa sobre o assunto, o que fui orientando como muito carinho.
Baseada pela experiência da explicação sobre sexualidade, quis trazer o fisioterapeuta para falar sobre os ossos, músculos, articulações, peso, movimentos e crescimento. Convidei o Dr. Renato para falar sobre o assunto. Também tivemos uma grande oportunidade de aprender, refletir sobre posturas, excesso de peso, consequências de nossas atitudes diante do mau uso do nosso corpo. Enfim, acredito que tenha valido a pena. Lógico, agradecemos a ele com um pacote de docinhos rsrsrs....
Fiz uma reunião de pais com o pais dos meus alunos, logo no inicio do ano, com o intuito de mostrar como pretendia trabalhar, algumas regras de conduta para que tivéssemos um ano produtivo e alegre. Montei com muito carinho esse momento, mas para minha decepção foram poucos os presentes, o que para mim foi parâmetro de como conduzir com a participação das famílias durante o nosso ano de trabalho. Dei valor para quem dá valor.
Participamos dos jogos OLEV, gostei muito deste envolvimento, conheci um pouquinho mais meus alunos, suas personalidades, suas garras e comprometimento. Posso garantir que foi uma das experiências mais importantes para avaliar como a criança se comporta diante do desafio, da competição. Pude usar esse olhar para outras situações da sala de aula.
Tivemos o acantonamento na escola, outro dia especial, as crianças ficam muito ansiosas por esse dia, teve toda uma programação dedicada a elas por ser a semana da criança. Foi uma noite incrível de muitas alegrias.
Fizemos estudos e interpretação de várias obras, seja em forma de música, poesia e artes plásticas. Como por exemplo: Cidadão de Zé Ramalho, aproveitamos esse texto para trabalhar a sociedade, o direito de ser cidadão, cantamos e interpretamos num teatro de fantoches. Publicamos esse vídeo no youtube. Trabalhamos a música Vilarejo da Marisa Monte, como uma forma de mostrar o lugar tranquilo de se viver onde as pessoas tem qualidade de vida, comparado com a nossa realidade. Fizeram desenhos para reproduzir a música. Finalizamos um vídeo utilizando os desenhos e a música de fundo. Fizemos releitura de um recorte do livro que lemos na sala: Tom Sawyer detetive. A busca do Cadáver por Tom Sawyer. Saíram trabalhos incríveis. Fizemos também releitura da obra de Tarsila do Amaral – Paisagem com Touro, um desenho utilizando tinta guache, (aliás, usamos pouca tinta durante o ano). Bem como usamos jornal para rasgar e colar remontando a obra, ficou muito linda!! Cada um com o seu olhar. Trabalhos de literaturas lidos, como o “Nada Ainda?” .Foram tantas outras leituras, releituras e reflexões que tivemos, incrivelmente dignas de ficar registrada como uma boa atividade de se fazer. As crianças gostam e aprendem.
Assistimos a alguns filmes como: Eu e Meu Guarda Chuva, Hop Rebelde sem Causa, Os 6 signos da Luz, Desventuras em Série, Os Croods, Mazzaropi - Tristeza do Jeca, Águas para Elefantes, Meu Malvado Favorito 2. Todos os filmes foram explorados com uma finalidade pedagógica, seja em reescrita, interpretação ou desenho.
Esse ano era ano de Prova Brasil, e esse tema ficou quase como uma neura pra mim, tudo se resumia em se preparar para a prova, onde os alunos deveriam ter um bom desempenho. Estudamos a tabuada, com sorteio, aprofundamos e exploramos assuntos novos de matemática e língua portuguesa com a intenção de que nada ficasse sem ser visto. ( sólidos geométricos, fração, as 4 operações, sistemas de medidas, gêneros textuais, bula, noticia, tiras, piadas, lendas, interpretação, interpretação e interpretação). Até que as aplicadoras da prova vieram e pudemos demonstrar o que havíamos estudado.  A sorte foi lançada. Só no próximo ano saberemos o resultado.
E o Patati e Patatá vieram para a escola, personagens estes de uma faixa etária bem inferior aos alunos do 5° ano, tema que gerou polêmica dias antes quando trabalhamos as estações do ano em geografia, onde tive a infeliz ideia de utilizar uma musica deles para cantar com a turma. Motivo de confusão total. Ridicularizaram e gerou um estresse danado. Infelizmente temos poucas opções de música sobre estações do ano, ou porque é gospel, ou são românticas ou são instrumentais como a de Vivaldi. A confusão estava armada, e os pré-adolescentes não perdoaram. Ficou pra mim um grande aprendizado. Espero que para eles também, afinal podem demonstrar que não gostam de algo com mais jeito. Acabamos todos prestigiando a apresentação dos ídolos infantis com muita alegria, fizemos uma limonada de um limão azedo. Superamos bem.
As avaliações foram as mais variadas possíveis, perguntas e individualmente teria que responder, bem tradicional. Simulados de língua portuguesa e matemática pegos para exercitar os modelos que viriam do MEC na prova Brasil, bem como trabalhar o gabarito. Gincanas de falso, verdadeiro, verdadeiro e falso. Elaborar as perguntas e as respostas em duplas. Provas com consulta. Procurei variar bastante as formas de avaliação com o objetivo de que refletissem sobre o assunto estudado sem o desespero e tensão de provas. Alguns resultados foram satisfatórios, fiquei bem feliz, outros talvez não entenderam a  proposta e mesmo assim não se esforçaram, não se comprometeram.
No 5° ano, os alunos participam do PROERD, Programa de Erradicação da Violência e das Drogas. São aulas aplicadas por um policial militar que durante 12 aulas estudam através de apostilas os temas sobre drogas, alcoolismo, violência, bullying, temas bem importantes para serem esclarecidos nesta faixa etária. Conscientizando para dizer não as drogas e a violência de modo seguro. Cada aula era motivo de alegria, novidade e o policial Adriano era engraçado e envolvia a todos com dinamismo. Visitamos o Batalhão da policia Militar de Ituporanga e o Corpo de Bombeiros. Conhecemos um pouco do trabalho desenvolvido e a parceria que fazem com a comunidade nas prestações de serviços.
Fizemos algumas viagens, conhecemos os povos pré-colombianos, entramos no interior da Terra, sentimos o calor que emana das profundezas, compreendemos como se deu o encontro dos povos europeus com os índios dessa terra chamada Pindorama. Mandamos cartas para pessoas distantes, entramos no Google Earth visitamos lugares nunca visitados por nenhum de nós, conhecemos seu relevo, conhecemos o clima do Brasil. Eu mesma no mês julho peguei licença prêmio e viagem literalmente para o Chile, conheci a Cordilheira dos Andes e através de fotos compartilhei com meus alunos esta experiência, fiz uma foto linda na neve lembrando com carinho dos meus 5° anos. Trouxe presentinhos para cada criança, aliás eles foram bem lembrados durante todo ano, seja com bombons, chicletes, disquetes, cartõeszinhos de incentivo. Eu também recebi muito carinho com surpresas no meu aniversário, cartaz de boa vindas quando voltei da viagem. Aliás, sempre tive muito carinho e reconhecimento dos meus alunos. Eu penso que fui bem importante para cada uma e cada um deles.
Falando de viagem fizemos uma excursão, alguns não puderam ir, mas levei cada um no coração. A maioria foi, mesmo assim foi bem legal, visitamos o zoológico e a Vila Encantada de Pomerode, visitamos uma fábrica de cristal em Blumenau e fomos no shopping e assistimos um filme em 3D chamado “ Um time show de bola” talvez a gente nem percebeu mas o título do filme é bem a nossa cara, somos um time cheio de diferenças, alguns com mais habilidades que outros, alguns estavam na reserva, uns mais fortinhos, outros mais fraquinhos mais todos são muito importantes para a formação deste time: o time do 5° ano 2013.
Posso garantir que fui um professora muito feliz, trabalhei muito. Agora meu desejo de 2014, é que eu seja tão feliz quanto fui em 2013.


Nenhum comentário:

Postar um comentário