2013!!!
Nossa, como o
ano de 2013, passou rápido! Quando vimos o ano letivo terminou...muitos foram
os saldos desse ano diferente e desafiador.
Logo nos
primeiros dias de aula, as aulas foram preparadas para nos conhecer, olhinhos
curiosos de uma lado e olhos da professora ansiosa do outro. Foi um
momento marcado pela expectativa de que
todos fossem muito felizes em ambos os lados. Sem demagogia... Minha maior
preocupação era ser uma pessoa feliz o tempo todo. Sempre dizia: “será possível
ser feliz sendo professora?” eu via tantas pessoas reclamando, cansadas,
deprimidas, sem alegria quando falava do seu trabalho...temia muito pelo que
poderia me acontecer. Eu, enquanto diretora dessa mesma escola, consegui junto
com meu grupo de trabalho, muitos avanços na escola. Fiz especialização em
gestão, fui premiada por duas vezes, fiz meu trabalho com muita dignidade e
competência, enfim, fui muito feliz. Esse mesmo ideal almejava no desafio de
ser professora.
Na organização
da minha sala, decorei, produzi fotinhas de aniversários, fiz cartão de boas
vindas, comprei todo um aparato tecnológico para que minha sala fosse
multimídia, com data show, home theater e telão. A sala ficou um espetáculo!
Necessitava desse apoio, para que minhas aulas fossem interessantes me
auxiliando na pouca prática com sala de aula, bem como na falta de domínio dos
conteúdos que viria a trabalhar.
Tinha uma lista
de conteúdos das várias matérias, que
deveria dar conta de apresentar aos meus alunos durante o ano e que não tinha
conhecimento algum. Foi um ano de muito estudo. Cada matéria me fez buscar
estudar exaustivamente cada conteúdo. Além dos assuntos, buscar vídeos que
traduzisse numa linguagem acessível à
idade dos meus alunos o tema a ser estudado. Foram horas de estudos de vídeos!
E os
instrumentos de avaliação? Nossa! Isso foi outra novela, precisava me
instrumentalizar de várias formas para conhecer as habilidades, os esforços
despendidos, o compromisso com o estudo e a escola, o valor que a família dá as
ações dos filhos, letra legível, ortografia, compreensão do que foi estudado em
cada capítulo, minha constante auto avaliação. Aliás foi um ano de avaliação e
auto avaliação ininterrupta. Algumas, foram necessárias, outras dispensáveis,
mas como estou num processo de busca da felicidade em ser professora, considero
que tudo que vivi foi fundamental.
Meu caderno de
planejamento, organizado metodologicamente dentro dos “padrões”, cada matéria
com seus conteúdos explicadinho, passo a passo, foi muito trabalho! Mas
precisava disso para minha segurança. Me apavorava a ideia de ir pra sala sem
estar planejada, preparada...terror! Cada minuto do tempo de aula, precisava
estar previamente planejado. E eis que às vezes isso fugia do nosso controle...
Por um evento que acontecia na escola, pela chegada de alguém na sala. Decepção
total. Gerando muita ansiedade, que o tempo estava correndo e eu não iria dar
conta do que planejei.
Acredito que
esse meu modo de levar o trabalho me possibilitou ter um ano tranquilo em
termos de comportamentos dos alunos, estou curiosa pra ver como será o próximo
e defender essa teoria de que aulas bem preparadas, com alunos envolvidos,
fazem com que tenhamos menos problemas com indisciplina. Não sei...
Bom, logo nos primeiros
dias, fui montar o horário de acordo com o que propõe a grade curricular, ledo
engano, achar que devemos engavetar as matérias dentro de um tempo preciso e
definido. Loucura total. Remodelei o horário umas três vezes até perceber como
seria mais produtivo, interessante e
envolvente.
Nas aulas de
arte, minha proposta era sair do desenho, lápis de cor e pinturas
estereotipadas, gostaria que conhecessem uma pouco sobre arte, as diversas
manifestações de arte e que a partir dali criássemos situações para produções
artísticas nas mais varias formas. Então, junto com meus alunos lancei o
desafio de trabalhar com papel machê. Por dicas de professores mais
experientes, a massa deveria ser feita em casa, por conta do melhor
aproveitamento do tempo e alunos dispersos na confecção. Deu bem certo. Quando
estava pronto. Passei a receita, mostrei todo o processo de confecção do que
havia feito sozinha em casa, na
esperança de deixa-los felizes com o manuseio da massa. Fica um sentimentozinho
de que poderia ter sido feito com eles, mas ao mesmo tempo fico contente de que
não fiz, por que é uma bagunça o feitio! Bom foi feito. Organizamos a sala,
forramos as carteiras, passei várias sugestões de trabalhos feitos com papel
machê, pedi que usassem a criatividade e fizessem suas próprias produções. Saiu
muita coisa linda! Alunos empenhados, outros nem tanto. Comecei ali minhas
primeiras alegrias e decepções da profissão.
Pedi a meus
alunos que respondessem um questionário sobre quem são, o que gostam de fazer,
de estudar, algumas preferencias particulares. Logo percebi que na grande
maioria eram muito contentes pela matemática. Matéria esta que me deixasse
temerosa, por que não tinha grandes formações sobre, e também minha experiência
escolar na matemática tinha sido terrível. Mas isso é outra história...Então,
quando falaram dessa alegria com a matemática, juro tive vontade de chorar.
Minha responsabilidade aumentou naquele momento consideravelmente. Não podia
jamais deixa-los desgostar da matemática. Respirei fundo e pensei: tenho que
aprender muito para ensina-los. E fui em busca. Alguns assuntos mais cautelosa,
outros mais afoita. As crianças me ensinaram o ritmo e o sentido de cada uma
das operações desenvolvidas. Tive um grande apoio da professora Roseli e o meu filho
Álvaro para dúvidas mais urgentes.
O ano iniciou
com escovação de dentes, idas a biblioteca, aulas de informática e terminou sem
nada disso. Explico por que: a escovação de dentes, apesar de considerar
importante, mas assim, ora o assunto estava envolvente que interromper seria
desperdício, ora não caia no meu horário esse momento. E como já é costume sempre
tem quem esquece da escova, achei que não estava a fim de ficar brigando por
escovas esquecidas, entendo que meu objetivo é outro, trabalhar o conhecimento
e por fim fomos relaxando e ficamos sem escovação de dentes. Idas a biblioteca,
fomos levando até o 3° bimestre, semanalmente indo a biblioteca, trocar livros,
ler, mostrar o que leu, mas as coisas começaram a perder sentido quando por
algumas vezes fomos a biblioteca e barrados pela porta fechada, o funcionário
não estava, ou por que os livros já tinham sido lidos, pouca variedade de
livros para essa faixa etária. Acabei levando alguns livros meus de casa, e
ganhei alguns livros de uma professora de Laurentino, a diretora do Cacilda me
deu também alguns livros, acabamos fazendo trocas na sala. E todos os dias li
histórias, às vezes lia o livro todo, as vezes capítulos, foi uma saída, que
apesar da biblioteca não ter funcionado 100%, lemos muiiiitooo.
Quanto à sala
de informática, foi outra novela, começamos o ano com computadores funcionando,
programava as aulas e lá íamos nós fazer as tão desejadas aulas de informática.
Mas, computadores estragam, desconfiguram. Precisava ter um técnico à
disposição, muita gente mexe. Eu tenho alguns conhecimentos de arrumar, mas com
a presença de alunos solicitando atenção o tempo todo, ficava extremamente
estressante. O que me motivou a cancelar essas aulas. Computador sem internet
para as pesquisas não dá... Para digitação quem sabe... Não deu tempo.
Tivemos em
nossa cidade uma apresentação artística de um grupo itinerante, fazendo um
monólogo sobre violência sexual. Uma peça muito interessante sobre abusos, e
sofrimentos causados por pessoas mais velhas com crianças nessa faixa etária.
Despertou ali um assunto que estava pipocando na cabeça de algumas crianças
sobre sua sexualidade. E no 5° ano, faz parte do currículo trabalhar este
assunto. Iniciei com essa peça os estudos sobre sexualidade humana. Fizemos
caixa de dúvidas, relacionei as perguntas, convidei Dona Cleusa, como uma professora que a muitos
anos trabalhou este assunto para vir fazer explanação para as crianças tão
curiosas. Foi uma experiência muito enriquecedora. Ela respondeu as principais dúvidas, acompanhada
de slides. Agradecemos sua contribuição com um pacote de docinhos. Depois da
sua saída da sala ainda rendeu muita conversa sobre o assunto, o que fui
orientando como muito carinho.
Baseada pela
experiência da explicação sobre sexualidade, quis trazer o fisioterapeuta para
falar sobre os ossos, músculos, articulações, peso, movimentos e crescimento.
Convidei o Dr. Renato para falar sobre o assunto. Também tivemos uma grande oportunidade
de aprender, refletir sobre posturas, excesso de peso, consequências de nossas
atitudes diante do mau uso do nosso corpo. Enfim, acredito que tenha valido a
pena. Lógico, agradecemos a ele com um pacote de docinhos rsrsrs....
Fiz uma reunião
de pais com o pais dos meus alunos, logo no inicio do ano, com o intuito de
mostrar como pretendia trabalhar, algumas regras de conduta para que tivéssemos
um ano produtivo e alegre. Montei com muito carinho esse momento, mas para
minha decepção foram poucos os presentes, o que para mim foi parâmetro de como
conduzir com a participação das famílias durante o nosso ano de trabalho. Dei
valor para quem dá valor.
Participamos
dos jogos OLEV, gostei muito deste envolvimento, conheci um pouquinho mais meus
alunos, suas personalidades, suas garras e comprometimento. Posso garantir que
foi uma das experiências mais importantes para avaliar como a criança se
comporta diante do desafio, da competição. Pude usar esse olhar para outras
situações da sala de aula.
Tivemos o
acantonamento na escola, outro dia especial, as crianças ficam muito ansiosas
por esse dia, teve toda uma programação dedicada a elas por ser a semana da
criança. Foi uma noite incrível de muitas alegrias.
Fizemos estudos
e interpretação de várias obras, seja em forma de música, poesia e artes
plásticas. Como por exemplo: Cidadão de Zé Ramalho, aproveitamos esse texto
para trabalhar a sociedade, o direito de ser cidadão, cantamos e interpretamos
num teatro de fantoches. Publicamos esse vídeo no youtube. Trabalhamos a música
Vilarejo da Marisa Monte, como uma forma de mostrar o lugar tranquilo de se
viver onde as pessoas tem qualidade de vida, comparado com a nossa realidade.
Fizeram desenhos para reproduzir a música. Finalizamos um vídeo utilizando os
desenhos e a música de fundo. Fizemos releitura de um recorte do livro que
lemos na sala: Tom Sawyer detetive. A busca do Cadáver por Tom Sawyer. Saíram
trabalhos incríveis. Fizemos também releitura da obra de Tarsila do Amaral –
Paisagem com Touro, um desenho utilizando tinta guache, (aliás, usamos pouca
tinta durante o ano). Bem como usamos jornal para rasgar e colar remontando a
obra, ficou muito linda!! Cada um com o seu olhar. Trabalhos de literaturas
lidos, como o “Nada Ainda?” .Foram tantas outras leituras, releituras e
reflexões que tivemos, incrivelmente dignas de ficar registrada como uma boa
atividade de se fazer. As crianças gostam e aprendem.
Assistimos a
alguns filmes como: Eu e Meu Guarda Chuva, Hop Rebelde sem Causa, Os 6 signos
da Luz, Desventuras em Série, Os Croods, Mazzaropi - Tristeza do Jeca, Águas
para Elefantes, Meu Malvado Favorito 2. Todos os filmes foram explorados com
uma finalidade pedagógica, seja em reescrita, interpretação ou desenho.
Esse ano era
ano de Prova Brasil, e esse tema ficou quase como uma neura pra mim, tudo se
resumia em se preparar para a prova, onde os alunos deveriam ter um bom
desempenho. Estudamos a tabuada, com sorteio, aprofundamos e exploramos
assuntos novos de matemática e língua portuguesa com a intenção de que nada
ficasse sem ser visto. ( sólidos geométricos, fração, as 4 operações, sistemas
de medidas, gêneros textuais, bula, noticia, tiras, piadas, lendas,
interpretação, interpretação e interpretação). Até que as aplicadoras da prova
vieram e pudemos demonstrar o que havíamos estudado. A sorte foi lançada. Só no próximo ano
saberemos o resultado.
E o Patati e
Patatá vieram para a escola, personagens estes de uma faixa etária bem inferior
aos alunos do 5° ano, tema que gerou polêmica dias antes quando trabalhamos as
estações do ano em geografia, onde tive a infeliz ideia de utilizar uma musica
deles para cantar com a turma. Motivo de confusão total. Ridicularizaram e
gerou um estresse danado. Infelizmente temos poucas opções de música sobre
estações do ano, ou porque é gospel, ou são românticas ou são instrumentais como
a de Vivaldi. A confusão estava armada, e os pré-adolescentes não perdoaram.
Ficou pra mim um grande aprendizado. Espero que para eles também, afinal podem
demonstrar que não gostam de algo com mais jeito. Acabamos todos prestigiando a
apresentação dos ídolos infantis com muita alegria, fizemos uma limonada de um
limão azedo. Superamos bem.
As avaliações
foram as mais variadas possíveis, perguntas e individualmente teria que
responder, bem tradicional. Simulados de língua portuguesa e matemática pegos para
exercitar os modelos que viriam do MEC na prova Brasil, bem como trabalhar o
gabarito. Gincanas de falso, verdadeiro, verdadeiro e falso. Elaborar as
perguntas e as respostas em duplas. Provas com consulta. Procurei variar
bastante as formas de avaliação com o objetivo de que refletissem sobre o
assunto estudado sem o desespero e tensão de provas. Alguns resultados foram
satisfatórios, fiquei bem feliz, outros talvez não entenderam a proposta e mesmo assim não se esforçaram, não
se comprometeram.
No 5° ano, os
alunos participam do PROERD, Programa de Erradicação da Violência e das Drogas.
São aulas aplicadas por um policial militar que durante 12 aulas estudam
através de apostilas os temas sobre drogas, alcoolismo, violência, bullying,
temas bem importantes para serem esclarecidos nesta faixa etária.
Conscientizando para dizer não as drogas e a violência de modo seguro. Cada
aula era motivo de alegria, novidade e o policial Adriano era engraçado e
envolvia a todos com dinamismo. Visitamos o Batalhão da policia Militar de
Ituporanga e o Corpo de Bombeiros. Conhecemos um pouco do trabalho desenvolvido
e a parceria que fazem com a comunidade nas prestações de serviços.
Fizemos algumas
viagens, conhecemos os povos pré-colombianos, entramos no interior da Terra,
sentimos o calor que emana das profundezas, compreendemos como se deu o
encontro dos povos europeus com os índios dessa terra chamada Pindorama. Mandamos
cartas para pessoas distantes, entramos no Google Earth visitamos lugares nunca
visitados por nenhum de nós, conhecemos seu relevo, conhecemos o clima do
Brasil. Eu mesma no mês julho peguei licença prêmio e viagem literalmente para
o Chile, conheci a Cordilheira dos Andes e através de fotos compartilhei com
meus alunos esta experiência, fiz uma foto linda na neve lembrando com carinho
dos meus 5° anos. Trouxe presentinhos para cada criança, aliás eles foram bem
lembrados durante todo ano, seja com bombons, chicletes, disquetes,
cartõeszinhos de incentivo. Eu também recebi muito carinho com surpresas no meu
aniversário, cartaz de boa vindas quando voltei da viagem. Aliás, sempre tive
muito carinho e reconhecimento dos meus alunos. Eu penso que fui bem importante
para cada uma e cada um deles.
Falando de
viagem fizemos uma excursão, alguns não puderam ir, mas levei cada um no
coração. A maioria foi, mesmo assim foi bem legal, visitamos o zoológico e a
Vila Encantada de Pomerode, visitamos uma fábrica de cristal em Blumenau e
fomos no shopping e assistimos um filme em 3D chamado “ Um time show de bola”
talvez a gente nem percebeu mas o título do filme é bem a nossa cara, somos um
time cheio de diferenças, alguns com mais habilidades que outros, alguns
estavam na reserva, uns mais fortinhos, outros mais fraquinhos mais todos são
muito importantes para a formação deste time: o time do 5° ano 2013.
Posso garantir
que fui um professora muito feliz, trabalhei muito. Agora meu desejo de 2014, é
que eu seja tão feliz quanto fui em 2013.